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QUEM
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Nasci em 1980 em São José do Rio Preto. Cresci em São
Paulo, mas sempre com os pés no interior, perto do meu avô,
que tocava piano e flauta, tinha grupo de choro e era um boêmio
praticante. Ele morreu cedo, gostaria de poder hoje trocar figuras com
ele.
Quando eu tinha 12 anos apenas tocava piano e nem sabia direito desse
lado dele, também porque ele já não pegava mais
em seus instrumentos. Mas me lembro bem de quando tinha 5 ou 6 anos
ficar tocando no violão dele a parte rítmica enquanto
ele montava os acordes, ré menor, lá menor, mi maior e
lá menor, coisas simples assim.
Minha mãe foi e é a minha segunda escola. Apesar de ser
diretora de escola, tocou desde muito cedo piano e flauta, ganhou prêmios
e estudou orquestração e música com gente da pesada.
Vira e mexe vejo ela ao piano e me inspiro. Além dessas pessoas,
que são da família, tenho como qualquer um os meus mestres
e ídolos, vou citar os 5 primeiros que me vêm à
cabeça: Astor Piazolla, Milton Nascimento, Tom Jobim, J.S.Bach
e Jaco Pastorius.
Digamos que tenha mais um 50 importantes ao menos, mas vale dizer também
que esses 5 que citei estavam circundados por tantos outros magníficos.
A genialidade talvez nunca viesse se eles estivessem sozinhos, se fossem
artistas isolados no mundo.
E eu tenho sempre um violão ao lado. Pra compor e escutar. Entre
outros instrumentos. E admiro os sons da natureza. Junto àqueles
do parágrafo anterior eu colocaria os sons do mar, dos pássaros,
das coisas, até os sons dos sotaques das línguas, da chuva,
da respiração, do coração e por aí
adiante.
CAMINHOS
São Paulo e Europa - 2005
Muita prática de orquestra e pesquisa musical
pelo velho mundo. No segundo semestre, o Rogério veio conversar
comigo sobre o Projeto. Já sabia das suas composições
e veio muito a calhar com a minha vontade naquele momento, de tocar,
compor e arranjar minhas músicas e as dele.
São
Paulo - 2004
Muita prática de orquestra, shows inúmeros
como contrabaixista da Feira Livre, produção de diversas
trilhas sonoras pra exposições, estandes e eventos.
São
Paulo - 2003
O Nascimento da minha paixão pelo violoncelo,
pra tocar. Após assistir a Osesp tocando "Jobim Sinfônico",
sob a regência do maestro Minczuk, liguei pra Marialbi Trisolio
e perguntei se ela me daria aula. Desde então estudo com ela.
São
Paulo - 2000
Depois de terminar a faculdade de Rádio e Televisão,
voltei a tocar com inspiração de um baixista amigo meu,
o Christian, que fazia uma Gig* no Espaço Paulista. Passei
a freqüentar a Gig semanalmente e logo voltei a estudar contrabaixo.
Foi o ano da Feira Livre Sonora, evento que se realizava no sebo "Máscaras
de Outono", da nossa amiga e Diretora de Teatro Nicole Aun, que
reunia amigos músicos e "não músicos"
que passavam horas tocando e papeando nos finais de tarde dos sábados.
Foi também o ano em que ganhei
a sanfoninha do meu pai. Ele a usou em alguma peça teatral
e depois me deu. Na verdade é um fole de 8 baixos. Alguns a
chamam de "Acordeona". Já toquei piano quando pequeno
então apesar de o fole não usar teclas, mas sim botões,
são instrumentos familiares. Com o Rogério, o intuito
é usar o fole como acompanhamento.
*
P´ra quem não sabe A GIG pode ser traduzida como uma
situação onde vários músicos se apresentam
de forma aleatória, e quase sempre descontraída, alguns
conhecem por JAM, os mais intelectualizados chamam de SARAU, mas enfim,
é um encontro quase informal de afinidades musicais...
São
Paulo - 1998 - 2002
Tive meus espasmos de composição, de
"tocador", de pesquisas sonoras, mas que
ficaram um tanto diluídos perto dos programas de rádio
e roteiros de TV. Mas a composição, desde quando me
lembro ter composto em cima de letras de amigos meus quando não
escrevia, é um lado que não exercito propriamente. Simplesmente
componho quando estou inspirado mesmo.
OPINIÃO
Como é
trazer para o universo da música caipira um instrumento essencialmente
erudito como Violoncelo?
A
escola erudita tem sido extremamente importante desde então porque
alia as riquezas da interpretação musical ao máximo
possível perfeccionismo técnico. Isso é imprescindível
neste tipo de intrumento musical. Desconheço uma versão
"caipira" do violoncelo como existe a rabeca,
prima do violino. Mas creio existir um "jeito de se tocar"
que é inerente ao "tocador", talvez
não ao "músico".
Mas como associar ou até dissociar o "músico"
do "tocador"?
Vou tentar explicar melhor: tanto o músico como o tocador podem
fazer e tocar música popular, de raíz, regional, como
se quiser chamar. Porém dificilmente o "tocador"
tocará numa orquestra seguindo de forma adequada os métodos
das escolas de música antiga se não tiver uma postura
erudita.
Assim como dificilmente o "músico"
sentirá a liberdade necessária pra se tocar música
regional. Não sei se existe algo de ambicioso nisso mas eu quero
as duas coisas pra mim. Pra acompanhar outros músicos e tocadores
em suas estradas. Um pouco como Antônio Nóbrega e seu violino,
um pouco como o Violoncelo de Jacques Morelenbaun, Lui Coimibra e Dimos
Goudaroulis.
Poderia
dizer que você sente a música de uma forma universalizada
então, sem fronteiras emocionais?
A impressão que tenho é que a minha música me procura
de vez em quando e eu, passeando por ruas de asfalto, bosques, rios
e outras estradas por vezes me deparo com melodias que me lembram aboios,
choros e sambas antigos, e harmonias mais requintadas, de música
européia, do jazz, dos cafundós do leste europeu e oriente
médio, além de ritmos de transe, difíceis de explicar
mas fáceis de sentir.
E existe o letrista também?
As letras, por sua vez, vêm das figuras de linguagem existentes
na própria natureza. Como Manoel de Barros, adoro as sinestesias,
personificações, metáforas, além das misturas
inomináveis de palavras e sensações, absurdas ou
não. Gosto de rimas, adoro escrever e esse prazer de vez em quando
vira música.
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